A garra errada reprova o ensaio: como escolher pelo material

Corpo de prova que escorrega ou rompe dentro da garra invalida o ensaio, e a culpa costuma cair na máquina. Como reconhecer na curva e como escolher.
O ensaio rodou, a curva saiu estranha, e o operador anotou que a máquina está descalibrada. Em boa parte dos casos a máquina está certa e o problema é a garra.
Garra errada não dá erro na tela. Ela entrega um número plausível e errado, que é o pior tipo de defeito de medição.
Os dois jeitos de a garra estragar o ensaio
Escorregamento. O corpo de prova desliza dentro da garra durante o ensaio. A máquina continua medindo deslocamento, mas parte dele não é o material alongando, é a amostra saindo do lugar.
Ruptura dentro da garra. A amostra rompe na região mordida em vez de romper no meio. O valor de resistência que sai dali não é do material: é do material somado ao dano que a garra causou.
As duas invalidam o ensaio, e nenhuma das duas aparece como falha no relatório se ninguém olhar.
Como o escorregamento aparece na curva
Na curva de carga e deslocamento, o escorregamento tem assinatura própria: a carga cai de repente e volta a subir, ou a curva ganha um patamar que não existe no material. Se você ensaiar três amostras iguais e só uma tiver esse degrau, foi a garra.
O outro sinal é de fora da tela. Marque o corpo de prova com uma linha na borda da garra antes do ensaio. Se a linha se deslocou no fim, escorregou.
O que decide a escolha
Não é o nome do material, é o conjunto de quatro coisas.
- A carga. Cada garra tem capacidade própria, e ela costuma ser menor que a da máquina.
- A espessura e a geometria. Chapa fina, barra redonda, fio e filme pedem mordidas diferentes.
- A dureza. Material macio marca fácil e escorrega em garra lisa. Material duro exige pressão alta para não deslizar.
- A repetição. Ensaio esporádico aceita aperto manual. Rotina de dezenas por dia pede acionamento que não dependa da força do operador.
As famílias, e onde cada uma escorrega
Cunha manual. A própria tração aumenta o aperto, o que é elegante e barato. Depende do operador montar direito, e desalinhamento na montagem vira flexão somada à tração.
Cunha pneumática ou hidráulica. Mesma ideia com aperto constante e repetível, o que tira o operador da conta. É o caminho quando o volume de ensaio é alto.
Garra de rosca. Para corpo de prova usinado com rosca nas pontas. Alinha muito bem e praticamente não escorrega, mas exige preparar a amostra.
Garra para fio e para filme. Capstan e mordentes com face macia. Aqui o inimigo é o contrário: pressão demais corta a amostra antes do ensaio.
A regra que fecha a discussão
Se o corpo de prova rompe dentro da garra ou na saída dela, o ensaio não vale, e repetir com a mesma montagem só produz o mesmo resultado inválido.
A ruptura tem que acontecer na região útil, que é onde a seção foi medida. Quando ela insiste em acontecer na garra, o caminho é trocar a face da garra, reduzir a pressão ou mudar a geometria do corpo de prova.
O que a gente entrega junto da máquina
A garra entra no dimensionamento da máquina universal desde a proposta, com a capacidade dela declarada ao lado da capacidade da máquina. Diga o material, a seção e a norma que a escolha sai justificada, não empurrada.
Quer avaliar a sua máquina?
Conte o que você tem e o que ela precisa fazer. A engenharia da GRD faz o diagnóstico e diz, com clareza, qual é o melhor caminho para o seu ensaio.
Artigos relacionados
Quantos kN você precisa: dimensionar a máquina pelo corpo de prova
NormasSua máquina de ensaio está fora da NR12? Comece por estes cinco pontos
NormasNR10 na prática: o que muda no painel de uma máquina de ensaio
RetrofitRetrofit de máquina de ensaio: quando vale mais que comprar nova
EnsaiosO que é um ensaio de tração e como interpretar a curva
NormasNR12 na prática: o que a fiscalização cobra da sua máquina
Tem um ensaio para resolver? Nós projetamos a máquina ideal.
Conte o que você precisa medir.